
– Ei.
(Silêncio)
– Está bem?
– Sim, e você?
– É…
– É o quê?
– Nada.
(Silêncio)
– Não gosto de te ver assim.
– Assim como?
– Quieta. Parecendo triste.
– Talvez existam motivos.
– E quais seriam estes?
– Você não gostaria de perder todo seu tempo com bobagens da minha cabeça.
– Acredite, eu perderia todo o meu tempo para te ouvir.
– Sério? E por que estaria disposto a isso?
– Por que… Não sei, você é especial. Uma boa amiga, não vou te deixar na mão.
– Ah… boa amiga.
– Algum problema? Falei algo de errado?
– Não.
– Então, por que esta cara fechada?
– É a única que eu tenho, risos.
– Para de tentar disfarçar.
– Disfarçar? Aonde? Você tá vendo coisa onde não tem.
– O teu olhar diz ao contrário.
– Não me pressiona, por favor.
– Só me diz a verdade.
– Não é necessário
– É para mim. Eu preciso saber, entende?
– Isso mudaria sua vida?
– Agora você ta daquele jeito comigo…
– Que jeito?
– Fria.
– E você queria o quê?
– Que você estivesse sorrindo. De preferência pra mim.
– Cadê os motivos?
– Eu não sou motivo suficiente?
– Um dia foi.
– Fui? Não sou mais?
– Se transformou em motivo de lágrimas.
– O que eu fiz?
– O problema é exatamente o que você não fez.
– Não entendo. O que eu deixei de fazer por você?
– Esqueça…
– Esquecer? Mas eu te amo. Só quero te ver bem.
– Eu também amo você.
– Então me deixa te ajudar. Somos amigos, não somos?
(Silêncio)
– Não somos?
– Fomos. E você é o único cego que ainda não percebeu isso.
– Continua fria.
– Decepções causam esses sintomas.
– E quem te causou tantas decepções assim? Quer que eu o mate?
– Você acha suicídio uma boa ideia?
– Você queria que eu tivesse feito o quê?
(Suspirou)
– Eu queria que você tivesse lutado por mim. Por nós.
– Nunca daria certo.
– Covarde. Nem ao menos tentou.
– Eu não queria te machucar.
– Mas machucou.
– Não tive essa intenção.
– Imagina se tivesse.
”Esse post está tentando me seduzir
(M.A)